A nova série de Harry Potter da HBO ainda nem estreou, mas já está no centro de uma nova polêmica. A diretora Ally Pankiw, conhecida por trabalhos em Black Mirror, The Great, Feel Good e Shrill, revelou publicamente que recusou uma oportunidade para dirigir episódios da produção por causa de sua posição em relação às declarações de J.K. Rowling sobre pessoas trans.
A decisão veio a público nesta semana, depois que Pankiw compartilhou nas redes sociais uma captura de tela de uma conversa com uma representante de sua equipe. Na mensagem, a profissional perguntou se ela teria interesse em trabalhar na produção da HBO.
A resposta foi direta: “Absolutely f—ing not! Lol”, ou, em tradução livre, “Absolutamente, de jeito nenhum! Kkk”. A representante respondeu que já imaginava a decisão e que concordava com ela.
“É simplesmente tão fácil dizer não à transfobia”
Depois de publicar a conversa, Pankiw explicou o motivo de sua decisão em uma mensagem que rapidamente chamou a atenção dos fãs.
A diretora escreveu: “It simply is this easy to say no to funding transphobia!”, frase que pode ser traduzida como “É simplesmente tão fácil dizer não ao financiamento da transfobia!”.
Ela ainda fez questão de esclarecer que a oportunidade mencionada era para direção, e não para atuação.
A declaração representa uma crítica direta à relação de J.K. Rowling com a nova adaptação. A autora dos livros de Harry Potter permanece envolvida na produção da série como produtora executiva, enquanto suas declarações sobre identidade de gênero e direitos de pessoas trans continuam provocando forte reação pública.
Uma fã de Harry Potter que decidiu dizer não
O caso ganha uma dimensão ainda mais curiosa porque Pankiw não é alguém que simplesmente desconhece ou não gosta da franquia.
A diretora já revelou sua ligação com Harry Potter e faz parte de uma geração que cresceu acompanhando a saga. Mesmo assim, decidiu separar seu carinho pela obra da decisão profissional de participar ou não de uma produção diretamente ligada à autora.
Para Pankiw, a questão não parece ser simplesmente gostar ou não dos livros e filmes, mas decidir se quer trabalhar em um projeto que, em sua avaliação, está associado a posições que considera prejudiciais a uma comunidade marginalizada.
Sua atitude também reacendeu uma discussão recorrente entre fãs: é possível continuar apreciando Harry Potter enquanto se discorda das posições públicas de Rowling? A resposta varia entre artistas, atores e fãs — e as escolhas profissionais em torno da nova série mostram justamente essa divisão.
Kate Herron também recusou a série
Ally Pankiw não foi a única diretora a revelar que decidiu não participar da produção.
Kate Herron, conhecida principalmente por dirigir a primeira temporada de Loki, também comentou a publicação de Pankiw. Segundo Herron, ela recebeu convites relacionados à série de Harry Potter e recusou a oportunidade mais de uma vez.
“Eles me perguntaram duas vezes e tive que explicar que minha resposta nunca vai deixar de ser não”, afirmou Herron nos comentários da publicação de Pankiw.
A revelação tornou o episódio ainda mais significativo, já que mostra que a controvérsia envolvendo Rowling não está restrita ao público ou aos fãs: ela também influencia decisões profissionais dentro da própria indústria do entretenimento.
Outros profissionais escolheram participar
Apesar das recusas, diversos atores e profissionais aceitaram participar da nova produção da HBO. Alguns deles, inclusive, já deixaram claro que não compartilham das opiniões de Rowling sobre pessoas trans.
Um dos exemplos mais recentes é Bel Powley, escolhida para interpretar Petúnia Dursley. Em entrevista publicada nesta semana, a atriz afirmou que discorda fortemente das posições de Rowling sobre pessoas trans e declarou seu apoio à comunidade trans. Ao mesmo tempo, Powley explicou que cresceu amando Harry Potter e continua tendo carinho pela franquia.
Esse posicionamento evidencia uma das principais questões envolvendo a nova série: alguns profissionais entendem que é possível trabalhar na produção e, simultaneamente, discordar publicamente de Rowling, enquanto outros preferem não participar do projeto justamente por causa dessa associação.
A polêmica acompanha a série antes da estreia
A nova adaptação de Harry Potter pretende contar novamente a história dos livros de J.K. Rowling em formato de série, permitindo que cada temporada explore um dos volumes da saga com muito mais tempo de tela do que os filmes tiveram.
A produção, no entanto, vem sendo acompanhada por discussões relacionadas ao envolvimento de Rowling e às posições que ela expressa publicamente sobre questões envolvendo pessoas trans.
A recusa de Ally Pankiw acrescenta mais um capítulo a essa discussão. Ao tornar sua decisão pública, a diretora transformou uma escolha profissional particular em uma declaração política e social que rapidamente repercutiu entre fãs de Harry Potter e nas redes sociais.
Mais do que simplesmente dizer “não” a um trabalho, Pankiw deixou claro que, para ela, existem projetos dos quais prefere não fazer parte independentemente do tamanho ou da importância da oportunidade.
Enquanto isso, a série da HBO segue em produção e deve chegar ao público em dezembro de 2026.
A nova versão de Harry Potter, portanto, chegará às telas carregando não apenas a enorme expectativa dos fãs, mas também um debate que ultrapassa a própria história de Hogwarts: até que ponto artistas estão dispostos a separar uma obra de seu criador — e quais limites estão dispostos a estabelecer quando seus valores pessoais entram em conflito com um grande projeto profissional?